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Segredo revelado

Segredo revelado

20.02.14

Anselmo Ralph - Eu Te Amava Mais ...


segredo_revelado

Se é suposto que a música tenha a capacidade de transmitir e provocar emoções de algum tipo, esta tem essa capacidade.
Posso estar enganado, mas a letra desta música faz imenso sentido para muitas pessoas que já a ouviram e para muitas mais que a ouvirão futuramente.
Faço minhas as palavras do Anselmo Ralph. Aproveitem o ''despertar'' de consciência que esta música vos pode causar e digam, sem vergonhas e sem medo de exagerar na quantidade de vezes que repetem as mesmas palavras, o quanto amam alguém. Um dia, quando esse alguém já tiver morrido, será tarde demais para dizer o que quer que seja.
Infelizmente sei bem do que falo.

 

segredo revelado: Não sou de lágrima fácil, mas, talvez por esta música me ter feito lembrar da minha mãe e de todas as palavras que nunca tive ocasião de lhe dizer antes de ela morrer, não tive como não ficar de lágrimas nos olhos ao ouvi-la.

''...mas agora já não estás aqui, o teu amor já não está aqui, eu não valorizei...''
Deve ser efeito da idade, da saudade, do remorso ou da porcaria de dias que tenho tido nos últimos dias, mas ando demasiado lamechas. E quanto mais lamechas fico, mais me falta um ''colo''.



18.11.10

Saudade é amor...


segredo_revelado

 

Já passaram 2 anos...

Já passaram muitos meses , semanas e dias. Demasiados, sem ti...

Já foram choradas muitas lágrimas, tantas delas dedicadas a ti...

Já sorrimos , cantámos e tivemos bons momentos, mas faltaste sempre tu a nosso lado , para a alegria ser maior...

Já cortei o cabelo , ganhei uns brancos e perdi 7 kg . Pois é , estou a ficar velhote, mas ainda tão carente do teu colo...

Já o pai se reencontrou com os ex-colegas da tropa. Sempre o incentivaste a ir , agora foi ...

Já foram vistas e revistas muitas fotografias...

Já se passaram horas a recordar e a reviver...

Já a S. entrou para a escola. Hoje já saberia escrever a palavra avó, uma palavra que sempre soubeste honrar...

Já o J. festejou 2 vezes o aniversário. Devias vê-lo agora, está tão grande...

Já se passaram tantas coisas , boas e menos boas. Devias estar connosco e vivê-las também , mas a tua ''coisa'' má , foi tão má, que te levou de nós...

Já o mano entrou nos (40)''entas'', sempre com o péssimo hábito de roer as unhas. Não adiantou ralhares-lhe que aquilo não se fazia , não aprendeu...

Já a D. arranjou um novo emprego , depois de quase 2 anos sem conseguir trabalho...

Já a tia L. , a tua irmã mais chegada e mais parecida contigo ,nos veio visitar sempre que pode , sempre preocupada connosco e a perguntar se precisamos de alguma coisa. Está envelhecida, a vida não lhe tem sido fácil...

Já a camélia cresceu mais e está cada cada vez mais bonita. Agora sim , ias gostar de a ver...

Enfim, já se passaram imensas coisas...

Se já se passou tanta coisa assim , porque não passa a saudade que todos nós temos de ti, mãe?

 

 

 

 

 

segredo revelado: O cancro matou-te e privou-nos da tua presença fisica junto a nós , mas há uma coisa que ele nunca vai conseguir matar: o amor que sentimos e sempre sentiremos por ti.

E esta saudade que sentimos é amor. Saudade também é amor...

 

 

Mãe, saudade Mãe,

Até ao dia em que Deus,

Me deixar rever-te,

Vou ter saudades tuas,

Porque muito te amo,

Porque recordo os mimos teus,

Que me viciaram no querer-te,

E por mais que mudem as luas,

Eu grito e declamo,

O tanto que te amo,

O quanto gosto de ser teu filho.

 

Ser teu filho,

Foi alimentar-me do teu seio,

Dormir de encontra o  teu peito,

Sonhar na paz da  tua calma,

Para despertar,

Na magia do teu carinho,

Onde me sinto e creio,

Que esta separação que rejeito,

Nos tornou numa só alma,

Fundida por esta dor,

Estranha e  perfeita forma de amor.

 

Mãe, minha Mãe,

É esta a minha forma de rezar,

Até te voltar um dia a  encontrar .

                                                           

 

(in:http://passosprimeiro.tripod.com/id6.html)

 

26.07.10

tanto tempo tem o tempo


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O Homem é, desde o momento em que nasce , um animal de hábitos.

À medida que vamos aprendizando novas tarefas , acabamos por memorizá-las e por fazer delas um hábito. Há hábitos que aprendemos , mas que acabam por serem subtituídos por nvos hábitos mais adequados à nossa idade e às experiências vividas.

Ainda bebés, habituamo-nos à presença dos nossos pais. Eles estão sempre lá junto a nós. Habituamo-nos a , desde os nossos primeiros anos de vida , contar com a sua presença e ajuda para satisfazer as nossas necessidades mais básicas, fisícas e emocionais.

A mãe, a mulher que nos carregou no ventre durante 9 meses , é a protectora, a alimentadora, é a mão que nos embala  ou nos seca as lágrimas...

O pai também está sempre por perto , embora seja normal que esteja mais ausente , devido à maioria dos pais , especialmente na geração dos meus pais , ser a fonte de sustento da casa, ausentando-se dela para trabalhar.

E a mãe? A mãe acompanha o filho. É uma presença contínua na vida do filho, acompanhando muito mais de perto, sendo mais presente.

Sei bem que cada caso é um caso, mas , quase sempre , os filhos , menino ou menina , acabam por desenvolver uma relação mais forte e de maior proximidade com a mãe , prolongando no tempo a ligação umbilical que um dia os uniu.

Não sei se foi/é assim convosco , mas eu, apesar de gostar muito do meu pai , sempre tive uma relação mais próxima e mais forte com a minha mãe.

 

 

Ainda sou do tempo em que haviam muitas mães a tempo inteiro. A minha mãe era assim , uma mãe a tempo inteiro.O facto de ela ser doméstica e só trabalhar, fora de casa, em ocupações sazonais, fez com que pudesse ser uma mãe bastante presente.

Como eu disse logo no inicio deste post , ''O Homem é, desde o momento em que nasce , um animal de hábitos.''. E é assim até no que toca a hábitos associados a determinadas pessoas.

Desde sempre, ao longo de toda a minha vida, me habituei a ter uma mãe presente. Era um hábito tão habitual (grande redundância esta , eu sei), tão entranhado em mim , no meu dia-a-dia , que acabei por , inconscientemente , tomá-lo como garantido, como um hábito que se perpetuaria no tempo.

A nossa mãe e o nosso pai , apesar de o tempo também os afectar, apesar de terem todas as mesmas fragilidades corporais e emocionais de qualquer ser humano, apesar de serem 'pilares'' que sustentam a nossa existência, apesar de serem os nossos eternos e infalíveis heróis, não são eternos. Também adoecem e também morrem. Foi o que aconteceu com a minha mãe.

Eu já não era uma criança quando o cancro lhe bateu à porta, mas, hoje que, com alguma frieza e distanciamento, penso nisso, acho que até há pouco menos de 2 anos ,altura da sua morte , a julgava eterna.

Ok, eterna tlvez seja um exagero, mas , no minimo , nunca pensei (e acho que poucos filhos pensam) que a minha mãe morresse ainda antes de fazer 60 anos.

La está! Sou um animal de hábitos. Habituei-me a vê-la sempre bem , sempre forte e com saúde, sem grandes problemas de maior. Idealizei uma mulher, uma mãe, à prova de tudo.

Por não pensar sequer que a poderia perder tão cedo, deixei passar em branco a oportunidade de lhe dizer sempre o quanto a amava, o quanto lhe queria bem e lhe agradecia (e ao meu pai , claro) ser o homem que hoje sou. Quando se julga que temos tempo... que temos muito tempo junto daqueles que amamos, descuramos os pequenos gestos , as pequenas palavras...descuramos fazer-lhes sentir o quanto os amamos.

Se há coisa onde sinto que falhei como filho , ter guardado para o amanhã aquilo que poderia e deveria dizer no próprio momento , foi uma dessas coisas.

Durante muitos anos , mais precisamente durante 28/29 anos da minha vida, se há coisa que fiz mal - e sei que fiz muitas, mais ou menos importantes -  essa coisa foi ter deixado por dizer muitas palavras de carinho,apreço e admiração dirigidas, entre outras , à minha mãe.

Foram muitos anos... muitos meses... muitos dias...horas... de pequenos ''nadas'' , de pequenos erros.

No momento em que acordei , despertado pelo cancro que a minha teve e pela possibilidade de que ela sucumbisse às mãos dele, era tarde demais para dizer tudo o que em 29anos tinha deixado por dizer , por fazer.

Hoje , passados quase 2 anos desde a sua morte , sei que faço menos coisas mal , que deixo menos coisas por dizer àqueles de quem gosto, mas fico sempre com a estranha e dolorosa sensação de que passei 29 anos a fazer tanta coisa mal e que , apesar da minha tentativa de fazer melhor , continuo a não fazer tudo do melhor jeito.

O tempo tem tanto tempo. Será que tenho tempo suficiente para ser melhor e para fazer melhor?

É tempo de fazer e de ser mais e melhor!

 

 

 

 

segredo revelado:  “O tempo pergunta ao tempo quanto tempo o tempo tem. O tempo responde ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem.”

É verdade que há muito tempo, mas também é verdade que , na maior parte do tempo, fazemos um mau uso do nosso tempo, ficando com pouco tempo para tudo aquilo e para todos aqueles com quem partilhamos o nosso tempo e um grande pedaço do nosso coração e pensamentos.

Tomar como garantido alguém na nossa vida , é das piores coisas que se podem fazer. Um dia a pessoa desaparece e muitas coisas podem ficar por dizer.

É tempo de fazer bem as coisas, optando por usar bem o nosso tempo.

19.07.10

Longe...


segredo_revelado

 

 

Se a saudade me invade ,

É para longe dela que eu fujo,

Até a um lugar onde eu caibo , mas ela não cabe.

 

Uma saudade que me envolve e me aperta,

Num abraço forte que me estrangula e faz crescer um nó na garganta...

Uma saudade que me ronda e me cerca,

Saudade que se deita comigo e comigo se levanta.

 

Sinto-lhe o respirar no meu pescoço,

O toque que me arrepia corpo e alma,

Tento resistir-lhe...não consigo, não posso...

Entrego-me ao silêncio que tanto fala.

 

Fujo para mais longe ainda, para lá do sol posto...

Aninho-me no meu canto, aquecido por memórias de tempos idos.

Uma..duas..muitas lágrimas descem-me pelo rosto,

Ao reviver momentos perdidos, mas não esquecidos.

 

Tal como ela, momentos que não vão voltar...

São momentos que não morreram, nem foram enterrados...

Se é verdade que existe Paraíso nalgum lugar,

Então vou fugir da saudade, procurando esse Paraíso noutros lados.

 

Se a saudade me invade ,

É para longe dela que eu fujo,

Até a um lugar onde eu caibo , mas ela não cabe.

 

 

 

 

 

 

segredo revelado: Poema escrito já há algum tempo, mas que permanece tão actual como então .

Distância...Saudade...